A famosa fábula de George Orwell, A Revolução dos Bichos, se transforma em um filme de longa metragem e vai parar nas telas do cinema. O filme (2026), dirigido por Andy Serkis, foi inspirado no livro de George Orwell, e narra a fascinante história de uma grande revolução organizada por animais de uma fazenda, que eram super explorados por fazendeiros humanos. O filme, assim como o livro homônimo, mostra as relações de poder entre os trabalhadores (animais da fazenda) e os patrões (fazendeiros humanos), permeadas pela escravidão, mercantilização e o aviltamento dos animais da fazenda. Porém, os próprios animais, diante da gigantesca e massacrante exploração de suas vidas, organizam um movimento social para a libertação da escravidão do trabalho na fazenda. A luta auto organizada e contra os fazendeiros humanos alcança êxito e a vitória é consumada após a expulsão completa dos donos da fazenda. A fazenda passa a ser administrada pelos próprios animais outrora explorados. As novas formas de trabalho na fazenda são igualitárias, sem hierarquias e auto-organizadas. Entretanto, com o passar do tempo, os porcos se auto proclamam líderes daquela revolução popular dos bichos e criam leis favoráveis a si mesmos, mudando as regras e os princípios igualitários daquele movimento revolucionário original. Os porcos passam a ter regalias e privilégios que nenhum outro animal da fazenda possuía, moram na sede da fazenda, usam equipamentos e utensílios dos antigos fazendeiros humanos e passam a explorar os demais animais da fazenda, comercializando toda a produção com os seres humanos da cidade. Os porcos acabam violando todas as regras daquele movimento social, e que agora, já não pode ser mais denominado de auto organizado. Os porcos se tornam os novos fazendeiros, não diferindo em nada daqueles primeiros fazendeiros expulsos após a revolução dos bichos. O livro de George Orwell é na verdade uma crítica à Revolução Russa de 1917, que inicialmente é organizada de forma legítima pelo movimento popular de trabalhadores russos (soviets), promovendo de fato a criação de uma sociedade autogerida, socialista e igualitária. Mas que, logo depois, em pouco tempo após a revolução, a criação de privilégios, regalias e novas regras por parte de uma pequena elite russa (composta pelo partido e por grupos civis e militares), que passa a legislar em benefício próprio, consegue propositalmente desvirtuar e descaracterizar por completo os princípios populares e revolucionários do movimento, levando posteriormente a criação de um "novo" regime na forma de capitalismo estatal (a antiga URSS), onde os trabalhadores ("os bichos") voltam a ser objeto da exploração laboral, promovida pelo recém criado Estado ("os porcos"), tal qual anteriormente, sob a antiga forma de exploração nos tempos da monarquia absolutista dos czares russos ("os antigos fazendeiros"). Os porcos assumem o poder, e tudo volta a ser como era antes. Os porcos se tornaram bípedes!
