terça-feira, 21 de abril de 2026

Louis Theroux: por dentro da machosfera


 (Escrito por: Renato Coelho)


Este documentário, dirigido por Louis Theroux, procura descortinar os conceitos e princípios que regem a chamada machosfera. A machosfera é um movimento misógino, formado exclusivamente por homens, e que surgiu a partir de grupos na internet. Além de ensinarem como seduzir e conquistar mulheres, pregam também o ódio às mulheres, a cultura do estupro, o machismo, a relativização do assédio sexual e da importunação sexual, e divulgam também ideias anti-feministas. O grande foco da machosfera é a monetização através da prática da misoginia nas redes sociais. Nos videos, chats e redes sociais vinculadas à machosfera existe uma tentativa clara em naturalizar o machismo, o patriarcalismo e a submissão das mulheres aos caprichos e às regras masculinas, no intuito de oprimir e subjulgar as mulheres. Os coachs, palestrantes e membros da machosfera, na maioria homens narcisistas e machistas, que além de ganharem muito dinheiro com a venda de livros, videos, aulas e palestras, tentam promover ataques aos movimentos feministas e aos direitos conquistados pelas mulheres nas últimas décadas. E para fazer valer essa ofensiva, utilizam principalmente da misoginia, incentivando a violência contra as mulheres. Os seus relacionamentos com suas namoradas ou esposas são totalmente tóxicos, onde somente a mulher deve aderir à monogamia ("monogamia unilateral"), devendo ser fiel ao seu namorado ou esposo, enquanto o seu parceiro, membro da machosfera, é autorizado a ter quantas parceiras quiser.
Só no Brasil, cerca de 4 mulheres morrem por dia, vítimas de feminicídio, resultando num total de 1460 mortes de mulheres por ano. Essa estatística assutadora é fruto do machismo estrutural, do patriarcalismo, da impunidade e das práticas de misoginia na sociedade brasileira, onde a mulher é vista apenas como objeto e como tendo a sua posse delegada aos homens. No mercado de trabalho, as questões de gênero comprovam o preconceito e a discriminação brutal contra o direito das mulheres, que apesar de terem em média, uma maior escolaridade, possuem os menores salários, ocupam cargos subalternos e ainda tem maior carga horária semanal de trabalho do que os homens.
A machosfera tem promovido artistas, coachs e influenciadores com milhões de seguidores nas redes sociais, e cujo público maior é formado principalmente por crianças escolares, adoslescentes e jovens. Os influenciadores da machosfera tentam justificar o fracasso dos homens às conquistas recentes e à luta das mulheres, desconsiderando o contexto de uma sociedade de classes e às políticas neoliberais em vigor, que geram a pobreza, a precarização do trabalho e da vida, tanto para homens, quanto para mulheres. Para os frequentadores da machosfera, a culpa de todas as mazelas que atualmente sobrevém aos homens, é das mulheres. Para eles a mulher é apenas um objeto sexual e cuidadora das questões domésticas, como criar filhos e limpar a casa. Ainda utilizam de uma pseudociência que tenta explicar a superioridade masculina com base em falsas interpretações das ideias de Charles Darwin. 
A internet é um construto social, que não apenas reflete os valores e os preconceitos sociais, mas que é capaz de potencializar tais valores e ideias, devido à sua grande abrangência, velocidade de alcance e de sua propagação em escala global. A misoginia difundida nas redes da machosfera, além de ser uma ação criminosa, tem atacado os direitos, a dignidade, os valores e a vida das mulheres, promovendo  a chamada cultura do estupro, o machismo entre os jovens, a violência, o feminicídio, a desumanização e misoginia. Essa subcultura misógina e machista precisa ser não apenas reprovada, mas também combatida, não somente pelas mulheres, mas por toda a sociedade, inclusive pelos homens, através de uma luta de todos e por todos, para por fim a esse movimento de ódio às mulheres e promover a justiça social e a equidade de gênero.

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